Clique aqui para baixar a versão integral da Rua Judaica






  Edição 413   Diretor / Editor: Osias Wurman Segunda, 29 de junho de 2015


 


MANCHETES DE ÚLTIMA HORA


 

Description: Knife found on the attacker (Photo: Israel Police) 

PALESTINA APUNHALA SOLDADA DE ISRAELO punhal acima foi usado por uma mulher palestina para ferir gravemente no pescoço uma soldada israelense que policiava o acesso ao túmulo da matriarca judaica Rachel. As forças de segurança no local prenderam a agressora. Ela é uma residente dos territórios e foram encontradas duas outras facas em seu poder. O serviço de emergência recebeu uma ligação, por volta das 11:00h desta segunda-feira,  sobre a soldada ferida que serve na polícia militar. Os paramédicos  atenderam a soldada, de 20 anos, que foi evacuada para o Hadassah Medical Center. Na semana passada, houve dois incidentes de segurança, também na Cisjordânia. Antes da meia-noite de sábado, uma ambulância do Magen David Adom foi atacada próximo ao assentamento de Beit El. Ninguém ficou ferido. Depois do ataque, o IDF procurou os criminosos na vizinha aldeia Palestina de Beitin. Um dia antes ,um ataque no vale do Jordão foi frustrado. Um terrorista palestino abriu fogo contra soldados em um posto e foi morto a tiros por forças do exército a cerca de 30 quilômetros ao sul de Beit Shean. Nenhum soldado ficou ferido no ataque e a área foi declarada zona militar fechada.

 

 

 

 

 

 

Description: http://lainfo.es/pt/wp-content/uploads/lainfo.es-11591-israel_children.jpg


CRESCE POPULAÇÃO JUDAICA MUNDIAL: A população judaica mundial aproxima-se do tamanho que era antes do Holocausto, diz um novo relatório por um instituto independente baseado em Jerusalém. O relatório, compilado pelo Instituto de Política do Povo Judeu, indica que existem 14,2 milhões de judeus, em todo o mundo, a partir de levantamento efetuado no início de 2015. Adicionando vários "subgrupos" (tais como imigrantes para Israel e "judeus parciais" americanos),  o número chega a 16 milhões — que se aproxima ao total do pré-Segunda Guerra Mundial, quando a população global judia era de 16,6 milhões. Após Israel, que está na casa de 6.103.200 judeus, os Estados Unidos tem a segunda maior população judia com 5.700.000 pessoas. O relatório do JPPI diz que na última década (2005-2015) foi registrado um aumento de oito por cento na população judaica, ou o maior aumento desde o fim da Segunda Guerra Mundial.  O JPPI baseou estes números  nas leis judaicas  de pertinência da Halacha, que estabelece critérios para aqueles que vivem em Israel e auto-identificação para aqueles que vivem fora de Israel." Abaixo a lista de países e regiões com as maiores populações judaicas no mundo:

Israel – 6.103.200 ; Estados Unidos – 5.700.000 ; França – 475.000 ; Canadá-385.300 ; América Latina – 383.500 ; Grã-Bretanha – 290.000 ; Rússia – 186.000 ; Alemanha – 118.000 ; Austrália – 112.500 ; África – 74.700 ; África do Sul – 70.000 ; Ucrânia – 63.000 ; Hungria – 47.900 ; Irã – 20.000 ; Ásia – 19.700 ; Roménia – 9.400 ; Nova Zelândia – 7.600 ; Marrocos – 2.400

 

 

 

 

 

 

 


Description: Soldiers outside a synagogue in Paris (Photo: Roi Yanovsky)


JUDEUS EM PARIS TEMEM DISCRIMINAÇÃO: Enquanto soldados armados foram enviados para proteger sinagogas na capital francesa, membros da comunidade judaica do país dizem que não é suficiente; “Há áreas em Paris onde você não pode mostrar que você é um judeu. Se você usar o Metrô com um kipah, você terá um problema.” Depois do ataque terrorista, perto de Grenoble, na sexta-feira, soldados armados foram destacados para a segurança nas sinagogas.Fora da sinagoga de La Tournelle, em Paris, havia nada menos que sete soldados armados, que estavam questionando os transeuntes e pedindo-lhes para tirar fotos somente a partir de uma distância. Na sinagoga de Place des Vosges, sete soldados armados estavam  fornecendo segurança para uma festa de bar mitzvah. Esta também é a situação defronte as escolas judaicas de Paris. Há um grande ponto de interrogação sobre o futuro da grande comunidade judaica da França, com cerca de meio milhão de pessoas, com a ascensão do islamismo radical no país, e recentemente com a ameaça de ataques terroristas. Os jovens judeus são mais cuidadosos ao exibir sua identidade judaica e temem ataques antissemitas ou terroristas. Alguns acreditam que a imigração para Israel ou Estados Unidos é a solução. Outros acreditam que isto só iria recompensar os terroristas.

 

 


Description: http://www.owurman.com/images/noticias_da_rua_judaica_22_06_15_clip_image002_0008.png

 

 


Description: bomb detectors


ROEDORES FISCALIZARÃO OS AEROPORTOS: Uma empresa israelense está treinando ratos para serem minúsculos detectores de bombas. Muito parecido com os cães, os ratos têm um olfato apurado e podem ser treinados para realizar atividades discretas e responder a estímulos. No entanto, os ratos não são geralmente usados para executar tarefas de detecção porque muitos sentem repugnancia aos roedores como sendo pragas e sujos. A equipe da X-Test, uma filial do grupo israelense Tamar, no entanto, diz que os ratos realmente têm diversas vantagens sobre os detectores caninos normalmente vistos em unidades policiais em aeroportos e em outras diversas ações de invetigação. "Eles são tão bons como os cães na medida de sua capacidade de sentir o cheiro, mas eles são menores e mais fáceis de treinar", disse Yuval Amsterdam da X-Test numa entrevista ao The Independent. "Eles são baratos, e você não precisa levá-los para passear. Uma vez que eles são treinados, eles se tornam bio-sensores." O plano, que foi desenvolvido por uma empresa fundada por antigos oficiais da IDF que visavam impedir ataques terroristas, é colocar os ratos em gaiolas e movimentá-los no aeroporto com seus manipuladores. Espera-se que os ratos serão muito menos perceptíveis do que cães farejadores, facilmente identificados no meio da multidão. Os roedores também alertarão a segurança para possíveis ameaças por reagir ao odor de explosivos na roupa ou em sacos.

 

 

 

Description: http://www.owurman.com/images/noticias_da_rua_judaica_22_06_15_clip_image002_0013.png

 

 



Osias Wurman
Jornalista

O PESADELO DO TERRORISMO FUNDAMENTALISTA;
GRÉCIA E OS “FESTIVOS” DA FLOTILHA

Paris - Nos últimos cinco dias, a França começou a ser sacudida por uma animalesca manifestação de taxistas que conturbou o direito de ir e vir nos aeroportos e nas principais cidades do país.  Sofreu, também, o baque de mais um ataque fundamentalista em seu solo e abre, esta semana, mergulhada na crise grega que derruba os mercados financeiros europeus.

A imprensa europeia e, muito especialmente a francesa, passaram o final da semana comentando o bestial atentado em que um fundamentalista decepou seu patrão e tentou explodir uma empresa americana produtora de gases.

A cada dia vai ficando mais evidente os vínculos do criminoso com movimentos terroristas muçulmanos.

A capa dos jornais franceses, do final de semana, colocaram, lado a lado, o atentado na França, Tunísia e no Kuwait.


Nesta segunda-feira, a unanimidade na imprensa é a derrocada com o “presente de grego”, prestes a ser entregue aos seus amigos e financiadores da Comunidade Europeia: UM BAITA CALOTE !!!

“A Grécia à beira do precipício”, manchete de capa do principal jornal francês – Le Figaro – traduz bem o clima alarmista que tomou conta de toda a Europa, nas edições desta segunda-feira.

Enquanto isto, do outro lado do Mar Mediterrâneo, um grupo de cínicos e manipuladores da opinião pública tentaram, em vão, dar mais um golpe publicitário através da dita “Flotilha da Liberdade III”.

Fracassaram ao serem interditados e rebocados para o porto israelense de Ashdot.


Description: Participants in the flotilla Description: http://cdn.i24news.tv/upload/image/94bf09c9a9e7df366d585893db5f28296eeace68.jpg


Disse bem, o primeiro-ministro de Israel, ao afirmar que os “navegadores” deveriam ter “perdido a rota original” que, certamente, seria destinada a ancorar na Síria para apoiar a centena de milhares de feridos na fratricida guerra que já ceifou 200 mil vidas e milhares de feridos.

 

 

 

 

 



Por Daniela Kresch
Jornalista
direto de Israel

DEZ ANOS DA RETIRADA DE GAZA: LEMBRANÇAS E DÚVIDAS

TEL AVIV – Me lembro de como soube da morte do ex-primeiro-ministro Yitzhak Rabin. Era um sábado e eu estava dormindo no então micro apartamento que alugava em Laranjeiras (Rio). De repente, escutei a música do plantão da Rede Globo e a notícia que se seguia: “Rabin é morto em Tel Aviv”. Achei que era pesadelo porque não estava com a TV ligada. Aí lembrei que a vizinha, uma velhinha simpática e surda, costumava aumentar ao máximo o volume de sua televisão. Percebi que não estava mais dormindo. Pulei do colchão e liguei a minha TV. Era verdade.


Description: http://embassies.gov.il/yaounde/mfaphotos/yitzhak-rabin%5b1%5d.jpg


Isso faz quase 20 anos: 4 de novembro de 1995. Duas décadas depois da tragédia e do trauma nacional israelense pela morte de um líder amado por tantos, um cineasta letão decidiu fazer um filme documentário sobre o assassino, Yigal Amir, que desde o crime passa os dias numa cela solitária. Amir, odiado pela grande maioria dos israelenses (infelizmente não posso dizer “por todos”), é uma espécie de tabu coletivo. Não se fala nele, ninguém quer saber dele, ninguém quer lembrar que ele existe. Um filme sobre ele é como uma piada de mau gosto nacional.



Principalmente porque o assassino conseguiu duas coisas que parecem impossíveis para um detento em solitária há 20 anos: se casou e teve um filho. Se casou por procuração e teve um filho depois de uma visita conjugal após tentativas de contrabandear sêmen para fazer fertilização in-vitro. Coisa de cinema. Mesmo assim, os israelenses preferem ignorá-lo. A dor é ainda grande demais para dar atenção e ele. E dar atenção a Yigal Amir seria premiá-lo. Premiar seu feito, sua ideologia, suas justificativas ignóbeis pelo que cometeu. No filme “Beyond the Fear”, o cineasta letão Herz Frank (que morreu em 2013) dá a Amir um palco para apresentar o que pensa. Nas conversas por telefone com o filho Yinon, de 7 anos, ele explica o assassinato sem nenhum arrependimento. Com orgulho.

-- Então você é que quis estar na prisão... – diz Yinon ao pai por telefone.

-- Eu não quis estar na prisão. Ninguém quer estar na prisão. Mas se você vai fazer algo assim (assassinato), você precisa levar em consideração que você vai ficar preso – responde Yigal Amir, sem remorsos.

-- Por que você não diz que ele (Rabin) era mau?

-- Quem?... Ah, eu digo, eu digo...

-- Por que eles não acreditam em você?

-- Porque eles também são maus – responde Yigal Amir ao filho.

O documentário sobre Yigal Amir se tornou uma polêmica. Até porque foi escolhido para passar no Festival de Cinema de Jerusalém – o que levou a uma onda de protestos, já que o festival tem financiamento do governo. A princípio, estranhei o protesto contra o fórum de exibição. Teoricamente, não é porque um festival tem financiamento público que os filmes que dele participam devem ser “chapa-branca”, pró-governo. Arte é arte: tem muita crítica ao sistema em qualquer lugar do mundo. Mas confesso que entendo o sentimento quase unânime de nojo ao objeto do documentário. Principalmente quando se trata do relacionamento com o filho.

-- Quando você vai sair da prisão? – pergunta o menino, com voz fofa, ao pai. 

-- Acho que quando Deus quiser. Reze muito, Yinon – responde o assassino de Rabin, num cinismo de matar. – Dizem que Deus ouve orações de meninos pequenos. 



No final das contas, os diretores da Cinemateca de Jerusalém decidiram exibir o filme, mas fora do festival. Só vi trechos da obra, mas a impressão que dá é que o diretor conta a história dele com uma neutralidade obscena. Dá à esposa, Larissa Trimbobler (de ascendência russa), e ao menino Yinon uma ênfase que faz com que o espectador sinta simpatia pelo menino – que, claro, não tem culpa de nada.


Description: http://www.vg.no/bilder/bildarkiv/1074498807.jpg


Mas essa simpatia deve servir para amolecer o que os israelenses pensam do pai? Já há quem diga que ele passou realmente tempo demais na prisão e deveria ter direito, por exemplo, a prisão domiciliar (em Israel, não há na prática pena de morte. Só um detento foi morto até hoje: o nazista Adolf Eichmann, em 1962). Devemos ficar emocionados com o amor de um filho pelo pai e vice-versa? Devemos ser cativados pelo tratamento de um assassino que mudou a história do pais por seu filho de 7 anos? Por um lado, trata-se de um dilema interessante que merece, por si só, ser tema de um filme. Por outro, trata-se de uma ferida ainda aberta que, quando cutucada, ainda dói. Muito.

 

 


Se você recebe o Notícias da Rua Judaica de amigos ou de terceiros, inscreva-se gratuitamente
para receber semanalmente o nosso informativo, enviado diretamente para seu e-mail.
Clique aqui e você estará inscrito

Se desejar indicar amigos para receberem este informe,
clique aqui e lista os e-mails dos novos assinantes

 

 


COMUNICADO AOS LEITORE
S

A direção editorial da Rua judaica deseja esclarecer qe todas as opiniões ou juízo de valor, emitidas por seus colunistas ou colaboradores, são de exclusiva responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, a opinião editorial do veículo, de entidades a que pertençam os articulistas, nem às entidades ou países a que possam representar.

 
     

 


Jornalista Responsável:
Osias Wurman - MT 14.707
Colaboradores Internacionais: Jerusalém - Daniela Kresch, Budapeste - Judith Klein, Miami - Fernando Bisker, Miami - Nelson Menda
Diagramação: MarketDesign